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Ju Ferraz

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Blogueira-vilã na TV, Giovanna Lancellotti é feminista: "Queremos respeito"

Ju Ferraz

25/05/2018 20h09

A segunda fase de Segundo Sol mal estreou – a virada da trama de João Emanuel Carneiro rolou nessa quinta-feira – e já temos uma candidata a roubar as cenas: Giovanna Lancellotti interpretando a blogueira do mal Rochelle. "Ela é debochada, tem um desvio de caráter forte, aprontará todas. E ela gosta de não ser a boazinha", contou Giovanna em papo exclusivo, que, ao contrário da personagem, é super do bem. Apesar de nunca ter tido um blog, Giovanna faz parte de uma geração que já nasceu conectada e, portanto, a vida digital é um elemento quase orgânico.

(Foto: Divulgação)

Fenômeno nas redes sociais, ela tem mais de 6 milhões de seguidores só no Instagram e sabe as dores e as delícias de ter tanta gente acompanhando todos os passos de sua vida. E, por isso, faz questão de usar sua voz, também, para endossar questões sociais e a movimento feminista, por exemplo. "Feminismo não é uma luta minha, é uma luta de toda mulher. Queremos respeito, mais igualdade, é uma luta pelo o que é de direito nosso. Não estamos pedindo nada além", enfatizou.

A atriz de 25 anos, que entrou na televisão em 2011, quando estreou vivendo a boazinha Cecilia de Insensato Coracão, já tem currículo de gente grande. De lá para cá, foram seis novelas, uma peça de teatro, mais de uma dezena de prêmios e uma paixão fulminante pelo cinema. Só neste ano, ela poderá ser vista em cinco longa-metragens: "Tudo Por Um Popstar" "De Novo Não ", "Não Deu Match", "Festa da Firma" e " Intimidade Entre Estranhos ".

(Foto: André Nicolau)

Por isso – por tantos outros motivos – que convidei a atriz para um papo sobre as dificuldades da carreira, vilanias, blogs, feminismo e, claro, a polêmica que rondou a novela Segundo Sol antes da estreia: a ausência de negros no elenco de uma trama que se passa em Salvador, cidade com mais de 70% da população formada por negros e pardos. Quer ler? Vem comigo:

Ju Ferraz: Que conselho daria para a Giovanna que estava começando a sonhar com a carreira de atriz? 
Giovanna Lancellotti: Eu fui morar em São Paulo com 15 anos para estudar teatro. Sempre soube o que queria. Já são 10 anos de lá para cá. Eu não sei qual conselho eu daria, talvez eu só reforçasse nela aquilo que ela já sentia dentro dela: "siga em frente, não desista, você vai conseguir ser feliz com a sua profissão". Eu não sei o que seria se não fosse atriz, não tinha um plano B. Não tenho ainda e nem quero (risos). É isso o que me deixa realizada.

JF: E como aquela Giovanna veria a Giovanna de hoje?
GL: Acho que a Giovanna lá do passado ia ficar bem orgulhosa de quem ela se tornou e do que conquistou. Foi tudo com muito trabalho, dedicação, mas valeu muito a pena.

(Foto: André Nicolay/ Women's Health)

JF: Conte um pouco da Rochelle. O que podemos esperar desse papel e como tem sido conviver com essa personagem?
GL: Rochelle é uma personagem que estou amando fazer. Ela é debochada, tem um desvio de caráter forte, aprontará todas. E ela gosta de não ser a boazinha, sabe? Tem um prazer nos atos dela. Eu estou apaixonada. Cada dia gravando é uma descoberta, é muito gostoso esse processo. Eu ainda estou conhecendo a Rochelle, entendendo suas ações. Texto do João (Emanuel Carneiro) é rico em detalhes, tem diálogos maravilhosos. Eu sou suspeitíssima para falar da Rochelle (risos).

JF: Eu tento ser uma blogueira do bem, falando sobre as lutas diárias de uma mulher que tem que conciliar a vida pessoal com o trabalho, filho, maridos e a luta contra a balança. Como seria um blog da Giovanna Lancellotti? 
GL: Eu acho que falaria sobre a minha experiência de ter saído cedo de casa para ir em busca do meu sonho, de todas as coisas que passei até o meu primeiro trabalho… Talvez compartilhar dicas com outras meninas que sonham em ser artistas. Ah, ia ter também a Filó (risos), minha cachorrinha que eu amo e é minha companheira. Falaria também sobre ser mulher nos dias de hoje, um assunto que eu gosto de conversar e discutir. Ih, seria um mix de muita coisa meu blog (risos).

JF: O que acha das blogueiras e digital influencers? Se inspirou em alguma? 
GL: Existem canais e blogs muito legais na internet. O que eu gosto da internet é que tem conteúdo diverso e cada um pode escolher o que tem a mais a ver consigo. Eu não me inspirei em ninguém específico para fazer a Rochelle. Ela é muito mais uma junção de atitudes, de situações que já vi, do que propriamente uma pessoa.

JF: Rochelle está sempre fazendo maldades e brigando com a irmã adotiva Manuela (Luisa Arraes). E essa não é a primeira personagem malvada que você fazer. Como não levar essa energia para casa?
GL: Ela não é a primeira malvada, mas é bem diferente da Bélgica (de Alto Astral, 2014). A Bélgica tinha uma coisa de adolescente incompreendida, invejosa e tal. As ações dela tinham uma "desculpa", sabe?! A Rochelle não. Ela é um trator, passa por cima de quem estiver pela frente. Não tem um contexto para suas ações, ela simplesmente age, é algo mais do instinto, de quem ela é. Apesar de ela aprontar todas, eu não me contamino mesmo. Ela fica no estúdio (risos). Coloco uma música no carro, me conecto comigo e já chego bem em casa.

(Foto: Eduardo Bravin)

JF: Você é uma mulher que se posiciona abertamente a favor do novo movimento feminista. O que tem aprendido com esse movimento? E como é ser mulher nesse novo tempo?
GL: Tenho aprendido muita coisa. E fico feliz de ver que nós, mulheres, estamos cada vez mais atentas com o desrespeito, com a desigualdade, com o assédio. Nada disso pode ser mais tolerado. Feminismo não é uma luta minha, é uma luta de toda mulher. Queremos respeito, mais igualdade, é uma luta pelo o que é de direito nosso. Não estamos pedindo nada além. Eu tenho uma mãe maravilhosa, esclarecida, tenho uma irmã mais nova, que eu quero um mundo melhor… É importante estarmos atentas a esses movimentos e, mais do que isso, a todas as conquistas, para que elas sejam valorizadas e não se percam com o tempo.

JF: A novela, antes de estrear, sofreu algumas críticas pela ausência de personagens negros em uma história que se passa em Salvador. Como encarou essas críticas? E como você se posiciona frente a essas críticas ao produto que você está envolvida?
GL: Eu acho que toda crítica, quando bem fundamentada, é bem-vinda. Fico feliz de ver que nossa sociedade está atenta e que temos possibilidade de dialogar e pedir mudanças. Temos artistas negros maravilhosos em nosso país e o certo é termos espaço para todos. Torço para que a gente tenha mais representatividade e diversidade na TV, no cinema, na arte em si.

JF: O que você gostaria de responder em uma entrevista que nunca te perguntaram?
GL: Pode ser essa pergunta?! (risos). Ninguém nunca me perguntou o que eu gostaria de ser perguntada!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A baiana Ju Ferrazcomeçou a carreira em Salvador como assessora de imprensa, até migrar para São Paulo, onde trabalhou em diversas empresas de comunicação, criando produtos editoriais exclusivos, projetos especiais de cross media e produção de eventos. Atualmente é diretora comercial, novos negócios e de relações públicas da Holding Clube. Mais do que uma executiva competente, com anos de experiência nas mais diversas plataformas, Ju é a mulher real que não tem medo de se jogar de cabeça em novos projetos e novas ideias ou de expor suas fraquezas. E mais: está longe de se transformar em uma figura idealizada descolada da realidade.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas, conversas, divagações e troca de experiências sobre o que é ser mulher nos dias de hoje.