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Ju Ferraz

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Na era dos amores líquidos, o que eu quero são amores concretos

Ju Ferraz

08/07/2018 22h52

Vocês já leram o livro Amor Líquido? Ele fala sobre a Fragilidade dos Laços Humanos e é escrito por Zygmunt Bauman. Para quem não conhece, o filósofo fala sobre a modernidade líquida, essa época estranha na qual vivemos, que traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos. Toda essa história é para contar como venho percebendo a vida por aqui. Exatamente há 30 dias fiquei doente. Além de ter que aceitar o diagnóstico, me adaptar a uma nova realidade, o que mais me chamou a atenção foi a percepção do outro em relação a minha situação. E não estou falando do outro, aquele amigo que não via há séculos…. estou falando do outro que convivia comigo todos os dias. Gente que trabalhou comigo durante muitos anos, gente que promovi, que acreditei, que me preocupei, que cuidei… isso me chamou muita atenção.

Me questionei sobre a superficialidade das relações. Sobre o que é viver no mundo corporativo e o que de fato precisa ser levado a sério. Por mais, que todos digam que trabalho é trabalho, eu nunca enxerguei assim. É claro que não defini minha vida e minha existência a partir do trabalho – na verdade fiz isso por um tempo, mas logo entendi que não era saudável e que não ia me levar a lugar nenhum. Por isso, por onde passei, enxerguei a equipe como uma família. Afinal, passamos mais tempo com eles do que em casa, correto? Me esforçava para criar um clima de harmonia, defendia, cuidava, ouvir seus problemas pessoais e tentava resolver todas as questões profissionais. Não sei se estou dramatizando demais, não sei se estou sensível demais, mas a real é que eu não estou acostumada com essa fragilidade das relações contemporâneas.

Onde eu vejo líquido eu quero sólido, quero rocha, quero concreto armado.  Lembra da máxima do Pequeno Principe, "você é responsável por tudo o que cativas?", pois bem! É assim que eu venho tentando levar a minha vida. Venho tentado aos longos dos meus 37 anos perceber o outro, ajudar, cuidar, fazer o máximo que eu puder…. A verdade é que às vezes falho, mas eu tento, diariamente, quase que obsessivamente, seguir do jeito que o meu coração manda. Quero relações por inteiro, cheias de amor e de verdade. Será que estou pedindo demais?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A baiana Ju Ferrazcomeçou a carreira em Salvador como assessora de imprensa, até migrar para São Paulo, onde trabalhou em diversas empresas de comunicação, criando produtos editoriais exclusivos, projetos especiais de cross media e produção de eventos. Atualmente é diretora comercial, novos negócios e de relações públicas da Holding Clube. Mais do que uma executiva competente, com anos de experiência nas mais diversas plataformas, Ju é a mulher real que não tem medo de se jogar de cabeça em novos projetos e novas ideias ou de expor suas fraquezas. E mais: está longe de se transformar em uma figura idealizada descolada da realidade.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas, conversas, divagações e troca de experiências sobre o que é ser mulher nos dias de hoje.