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Pathy DeJesus: "Ser uma mulher negra em 2018 ainda é um desafio constante"

Ju Ferraz

13/09/2018 20h17

Se você ligar a sua TV em qualquer horário, certamente vai se deparar com a atriz Pathy DeJesus enfeitando a tela e enchendo seu dia de talento. É que ela tem enfileirado papel atrás de papel. Todos com muita coisa para dizer.  Como uma stripper em "Rua Augusta", da TNT; uma mulher de uma comunidade que sofreu uma série de abusos em "Rotas do Ódio", da Universal Channel; uma executiva empoderada de "Desnudes", da GNT; e, mais recentemente, acaba de estrear "(Des) Encontros". Acha que acabou por aí? Nada disso: ela engata um novo trabalho, dessa vez na Netflix, na série, "Coisa mais Linda", na qual é protagonista e dá vida à Adélia, uma carioca negra e trabalhadora absolutamente determinada e com uma força inabalável nos anos 1950.  Além de Pathy DeJesus, a série tem Maria Casadevall, Thaila Ayala, Mel Lisboa e Fernanda Vasconcellos.

(Foto: Lu Prezia)

"Cada uma das personagens trouxe para mim uma nova visão da vida, o que com certeza expandiu os meus horizontes. Acho que essa é uma das melhores partes do meu projeto: ter a oportunidade de experenciar através das personagens uma realidade de vida que não é minha, mas também poder me relacionar com elas de alguma forma, seja na personalidade, seja pelo momento que estão passando, seja pelos ideais", contou a atriz, que, antes da carreira nas telinhas, já acumulava uma série de sucessos como modelo. "Tudo na vida tem seu tempo e acontece no momento certo. É um alívio ver que hoje consigo viver do meu trabalho e que tudo está dando super certo", completou, em papo exclusivo com o blog da Ju Ferraz. Eu sou fã. Há muito tempo. Vem ler nossa conversa, onde falamos sobre assédio, feminismo, racismo e, claro, carreira.

Ju Ferraz: Como foi a transição de modelo para atriz. Quais as maiores dificuldades dessa mudança de carreira?
Pathy DeJesus: Eu não vejo tanto como uma transição porque sempre amei a atuação e estava, de uma forma ou de outra, envolvida em projetos artísticos antes de iniciar a carreira de forma definitiva. Atuar é minha profissão, minha paixão e não meço esforços para executar da forma mais nobre possível. Foi uma escolha feita com muita consciência depois de uma carreira linda como modelo, mas que já passou.

Ju Ferraz: Qual foi o maior Desencontro que voce já teve na sua vida? Conte um pouco desta serie que acabou de estrear
Pathy DeJesus Não sei se conseguiria nomear um desencontro, acho que a vida é cheio deles e isso faz com que seja tão interessante. Na série retratamos exatamente isso, os desencontros de diversas pessoas e como a vida às vezes prega essa peça em nós. Eu interpreto a Ana Paula, que é uma advogada de sucesso e quem está por trás do desencontro do casal do episódio.

Pathy em (Des) Encontros

Ju Ferraz: Você está sempre envolvida em papeis empoderadores, que abordam as questões da mulher contemporânea. Como é ser uma mulher negra em 2018?
Pathy DeJesus É um desafio constante, e são desafios que não mudaram tanto assim nos últimos anos. Ainda temos que nos provar duas vezes mais do que qualquer outra mulher. Mas nós estamos caminhando para melhor, ainda estamos longe do cenário social ideal, mas os primeiros passos já foram dados e isso é essencial para o início da mudança.

Ju Ferraz: Já foi vitima de assédio de algum tipo?
Pathy DeJesus Eu acredito que toda mulher, em algum momento, já passou por isso. Não é segredo que o Brasil é um país machista, racista, homofóbico… Hoje vejo que, pelo menos, estamos nos unindo mais para fortalecer umas as outras. É importante que a mulher saiba se posicionar e ser ouvida.

Ju Ferraz: Você já sentiu que foi tratada de forma injusta por ser mulher? E como não deixar que isso aconteça ainda em 2018?
Pathy DeJesusÉ praticamente o mesmo caso a respeito do assédio. Essa situação é um reflexo da sociedade machista em que estamos inseridas. Não sei se tem uma fórmula para não deixar isso acontecer, porque a sociedade é muito presa a antigos conceitos, mas acho que quando a mulher sabe se posicionar e também sabe que há outras mulheres apoiando ela, fica um pouco mais fácil evitar que isso aconteça.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A baiana Ju Ferrazcomeçou a carreira em Salvador como assessora de imprensa, até migrar para São Paulo, onde trabalhou em diversas empresas de comunicação, criando produtos editoriais exclusivos, projetos especiais de cross media e produção de eventos. Atualmente é diretora comercial, novos negócios e de relações públicas da Holding Clube. Mais do que uma executiva competente, com anos de experiência nas mais diversas plataformas, Ju é a mulher real que não tem medo de se jogar de cabeça em novos projetos e novas ideias ou de expor suas fraquezas. E mais: está longe de se transformar em uma figura idealizada descolada da realidade.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas, conversas, divagações e troca de experiências sobre o que é ser mulher nos dias de hoje.