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Ju Ferraz

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Uma em cada dez pessoas no Brasil sofre de ansiedade. Eu sou uma delas.

Ju Ferraz

08/05/2018 09h15

A ansiedade é o mal do século. E o Brasil é o campeão do mundo, com a maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade do planeta, de acordo com dados divulgados no ano passado pela Organização Mundial da Saúde, que afirma que cerca de 10% da população brasileira sofre desse problema de saúde. Pobre, rico, alto, baixo, magro, gordo, médico ou atores, a ansiedade não escolha suas vítimas. Um bom exemplo disso, é que Ryan Reynolds, ator consagrado, casado com Blake Lively e dono de uma das carreiras mais vitoriosas do cinema americano, desabafou neste fim de semana com o The New York Times sobre a sua luta contra a doença. "Eu sempre tive ansiedade. Tanto a leve, do tipo estou ansioso com isso, como estar nas profundezas de um espectro sombrio, o que não é divertido", comentou o astro. É claro que não estamos falando da mão suando frio antes de um dia de prova ou de uma entrevista de trabalho. A ansiedade como patologia é algo bem maior do que isso, e tem uma característica mais duradoura, gerando um estado de hipervigilância, sentimento de medo e inquietação que pode afetar diretamente a qualidade de vida e até mesmo o desempenho familiar, social e profissional de quem sofre deste mal. 

O ator Ryan Reyndolds contou sobre sua batalha contra a ansiedade

E por que estou falando tudo isso: porque a minha ansiedade me derrubou esses dias. Eu, assim como o Ryan, sempre tive ansiedade. E uma das formas mais efetivas que ela se desenvolveu em mim foi me jogando sem rede de proteção na comida. Como já contei aqui no blog, eu, além de ansiosa, sou uma compulsiva alimentar. E, um, na verdade se alimenta, sem trocadilhos, do outro.  Mas voltando ao motivo dessa coluna: já ouviram falar que quando a gente não para, a vida para a gente? Pois bem, a vida me parou. O stress, o excesso de comida, a falta de tempo para respirar, a ansiedade que não sai desse corpo aqui…. tudo isso junto e misturado virou uma bomba relógio e me deixou três dias dopada, deitada na cama, sem vontade de ver a vida do lado de fora. Uma sensação esquisita. Uma sensação que a vida está acontecendo lá fora, que as pessoas estão trabalhando, se divertindo, treinando e eu estava ali abraçada a uma situação que era mais forte que eu. 

Sempre que me vejo nesse buraco, me pergunto: como deixei chegar a esse ponto? Como eu não vi a comida – e por consequência a ansiedade que o ato de comer para uma compulsiva alimentar traz – tomar conta do meu corpo? Que sensação é essa de maltratar a si própria achando que assim resolveria todos os problemas? Nome disso: falta de respeito. Falta de respeito com meu corpo, minha alma, com Deus que me deu a oportunidade de gerir a minha vida….esse texto é um aviso. Um aviso do que não se deve fazer. E se quiser alguns conselhos, que, sempre funcionam para mim nesses momentos de crise, aqui vai. 

1) Separe os problemas profissionais dos pessoais 

2) Respire, Respire, Respire… mesmo quando parece faltar oxigênio 

3)Tire um tempo pra você! Treine, reze, faça um curso de dança, aula de música ou o que quiser mais….

4) Valorize os seus próximos. Sua família, seus amigos de verdade, os animais de estimação.

5) Se conecte com você e com a energia lá de cima. A nossa fé move montanhas.

6) Não desconte os seus problemas na comida, na bebida, nos outros…

Precisa dizer mais?! Precisa. Quando a crise apertar, o ar faltar e o coração parecer que vai explodir, procure um médico. Ele vai saber se você precisa de remédios e vai te orientar, efetivamente, sobre que hábitos na sua rotina precisam ser mudados. Depois, é agradecer o aprendizado (mesmo doendo) e seguir em frente!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A baiana Ju Ferrazcomeçou a carreira em Salvador como assessora de imprensa, até migrar para São Paulo, onde trabalhou em diversas empresas de comunicação, criando produtos editoriais exclusivos, projetos especiais de cross media e produção de eventos. Atualmente é diretora comercial, novos negócios e de relações públicas da Holding Clube. Mais do que uma executiva competente, com anos de experiência nas mais diversas plataformas, Ju é a mulher real que não tem medo de se jogar de cabeça em novos projetos e novas ideias ou de expor suas fraquezas. E mais: está longe de se transformar em uma figura idealizada descolada da realidade.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas, conversas, divagações e troca de experiências sobre o que é ser mulher nos dias de hoje.