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Ju Ferraz

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Descobri que podia ser feliz de novo. De que forma? Em um simples almoço

Ju Ferraz

17/08/2018 16h54

Se recuperar de uma doença psíquica não é fácil. Eu falo isto por experiência própria, pois como já contei aqui no blog, eu tenho de lidar, além da compulsão alimentar, com o meu segundo diagnóstico de síndrome de burnout. Mas aos poucos, com ajuda profissional, e de quem a gente ama, as coisas vão se acertando. E, agora, depois de um longo e tenebroso inverno metafórico, que começou bem antes desse inverno climático, me sinto viva. A felicidade já é uma realidade de novo em minha rotina, sinto que estou voltando a me conectar comigo mesma, e, por consequência, com as pessoas ao meu redor.

Meu médico disse que ainda estou em tratamento, que ainda vou precisar dos meus remédios por algum tempo, mas estou a cada dia de olhos mais abertos e mais esperta, com vontade de trabalhar, ávida por realizar coisas e com prazer em voltar a me conectar com meus clientes, que é o meu grande ativo. Como muita gente que me lê aqui sabe, sou uma profissional da comunicação e, ao longo dos anos, me transformei em uma especialista na área comercial, onde o networking é essencial. Portanto, estar viva, atenta e conectada é parte essencial do meu trabalho.

Bel, eu e Manu: certeza de que tenho muito amor para dar e para receber

E por que estou falando em felicidade? Porque hoje, numa sexta feira cinzenta em São Paulo, fui almoçar com duas grandes amigas. Uma delas, Bel Pimenta, perguntou, ainda pela manhã, se eu iria furar o encontro de novo. Nessa montanha-russa emocional que se transformou minha vida no auge do burnout, passou a ser comum marcar e desmarcar almoços, confirmar e não aparecer em eventos, e até uma viagem com todos os bilhetes já comprados de férias com uma turma de amigos teve de ficar para depois. Por mais que eu não quisesse, eu merecia o cargo de furona dos amigos. E, claro, isso tudo era um ciclo que não se encerrava, pois a cada compromisso desmarcado, eu me culpava, aumentava a minha crise e mais compromissos eu precisava desmarcar.

Mas o que eu quero dizer com isso tudo é que é muito bom poder viver simples momentos como esse almoço de sexta-feira, quando a gente pode falar, ouvir, saber das novidades, filosofar sobre a vida e, mais do que isso, estar com pessoas que a gente ama. Foi uma sexta-feira muito feliz. E isso, apesar de ter muito valor, não tem preço. Às vezes a gente se ilude querendo bens materiais, como uma joia, uma bolsa, uma viagem, um carro, quer tudo e tanto da vida que esquece de se encantar com as mais simples coisas, como a beleza de um dia comum, de almoçar com amigas da vida inteira, que sabem quem você é, e que fazem você sair de um encontro tendo a certeza que tem muito amor para dar e receber.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A baiana Ju Ferrazcomeçou a carreira em Salvador como assessora de imprensa, até migrar para São Paulo, onde trabalhou em diversas empresas de comunicação, criando produtos editoriais exclusivos, projetos especiais de cross media e produção de eventos. Atualmente é diretora comercial, novos negócios e de relações públicas da Holding Clube. Mais do que uma executiva competente, com anos de experiência nas mais diversas plataformas, Ju é a mulher real que não tem medo de se jogar de cabeça em novos projetos e novas ideias ou de expor suas fraquezas. E mais: está longe de se transformar em uma figura idealizada descolada da realidade.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas, conversas, divagações e troca de experiências sobre o que é ser mulher nos dias de hoje.